Palestra do Pedro Martinelli, sobre o seu livro "Amazônia o Povo das Águas".

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03/dezembro/2005
 
Palestra do Pedro Martinelli, sobre o seu livro "Amazônia o Povo das Águas".
 
Pedro José Martinelli. A Gazeta Esportiva, sucursal de Santo André-SP(1967). Diario do Grande ABC em Santo André-SP(1968-1970). O Globo(1970-1975). Palacio do Governo(1975-1976).É fotógrafo e editor de fotografia da revista Veja (1976-1983) e diretor de serviços fotográficos no conjunto de revistas da Editora Abril (1983-1994). Participa de importantes exposições coletivas, entre as quais S.P. 76 (Museu de Arte São Paulo, 1976); I Trienal de Fotografia (Museu de Arte Moderna, São Paulo, 1980); Centro Cultural São Paulo (1985); 100 Anos de Avenida Paulista, (MASP, 1991); I e II Bienal Internacional de Fotografia de Curitiba (1996 e 1998). Recebe Bolsa da Fundação Vitae (1996). Prêmio Esso de Jornalismo na categoria Informação Científica, Tecnológica e Ecológica (1996) e diversos Prêmios Abril de Jornalismo. Em 1997 é Indicado para o Prêmio Estadão Cultural.
Publica os livros Casas Paulistanas (São Paulo, 1998), Panará a Volta dos Índios Gigantes (com exposição individual no SESC Pompéia, São Paulo, 1998), o livro Amazônia o Povo das Aguas (com exposição individual no Museu de Imagem e do Som, São Paulo, 2000) , O livro Mulheres da Amazônia (com exposição no Museu da Casa Brasileira, São Paulo 2004) e o livro Gente X Mato, São Paulo 2008.
É fotógrafo independente desde 1994 tendo inúmeras reportagens publicadas nos principais periódicos do país.
Dedica-se a documentação fotográfica da Amazônia desde 1970, registrando o primeiro encontro dos índios Panará com o homem branco.
 
 
Amazônia o Povo das Águas
MURAL DE AMAZÔNIDAS
Pedrão é um foto jornalista que anda, andou muito, continua andando, navegando, há 30 anos, registrando histórias da Amazônia.
Parece cumprir o destino dos Martinelli, uma família de fuori muri que deixou Luca na Itália no início do século e se radicou em Santo André, São Paulo, onde Pedro nasceu, aprendeu a andar no mato, a pescar e a cozinhar generosamente.
Formado na escola fugaz da imprensa diária, que o levou de Santo André para alguns dos maiores periódicos do país, Pedro Martinelli foi se firmando nas redações como um fotógrafo que não perdia o lance crucial do jogo de domingo e sempre estava disposto a viajar para locais remotos e encarar pautas difíceis.
O gol e o mato.
Fez muito buraco de rua e treino do Madureira, antes de chegar aos Fla-Flus, `as copas do mundo, `as olimpíadas, os golpes de Estado na America Latina, `a guerra da Nicarágua, `as eleições de Papa, `as campanhas publicitárias, os editoriais de moda e de mulher e `a direção de um dos maiores estúdios fotográficos do país.
Em 1970, quando o regime militar botou em marcha os primeiros acordes do chamado Plano de Integração Nacional e iniciou a construção de rodovias que cortariam a floresta amazônica, Pedro, então com 20 anos, foi escalado pelo jornal O Globo para cobrir a célebre expedição de “atração” dos chamados “índios gigantes”, na rota da abertura da rodovia Cuiabá-Santarém. Foi sua pós graduação de mato na Amazônia, tendo Claudio Villas Boas como mestre. Durante três anos, aguardou pacientemente na rede, meses a fio, o desfecho da história. Descobriu quanto custa fazer uma documentação fotográfica profunda, numa região imensa, desconhecida e onde o que dá o ritmo (ainda) é a natureza.
Seus registros memoráveis do cerco aos Kranhacãrore viriam se completar 25 anos mais tarde, quando reencontrou os Panará - o verdadeiro nome da tribo - e pôde documentar o seu retorno ao que sobrou do território tradicional, depois do vendaval predatório das madereiras, das empresas agropecuárias e dos garimpos que se instalaram na região dos afluentes da margem esquerda do médio Xingu, no rastro da estrada.
A esta altura, Pedro Martinelli já havia deixado o emprego fixo e estava andando por sua conta, sem a pressão das pautas de curto prazo e o jugo dos editores, para se dedicar prioritariamente `a documentação do cotidiano do homem da Amazônia, do qual este livro é um primeiro fruto.
Carregando sempre uma tralha compacta, na qual não falta uma vara de pescar desmontável, Pedro é um fotógrafo artesanal, que só utiliza câmeras mecânicas sem adereços sempre depois de uma aproximação profundamente humana e alegre com as pessoas e comunidades protagonistas das histórias que está aprendendo para contar. Seus fotogramas são tiros de armas sempre penduradas a tiracolo, inseparáveis até quando vai tomar banho de igarapé.
Mulheres Baniwa do Alto Içana na lida da mandioca brava, caboclos do Alto Solimões especialistas na pesca de tucunaré, juteiros do Paraná do Supiá, piabeiros de Barcelos e pau-rosistas do Nhamundá, carregadores do porto de Manaus , engenheiros da mina de ferro de Carajás, são alguns dos personagens, registrados e datados por Pedro Martinelli, fragmentos representativos de um mural da humanidade amazônica em rápida transformação, que os paparazzi do exotismo e as fotos de satélite não detectam, num país que chega aos 500 anos e na virada do milênio como recordista mundial da predação florestal e da ignorância sobre a sua diversidade socioambiental.
Beto Ricardo, companheiro de viagem (Instituto Socioambiental)
São Gabriel da Cachoeira. AM, agosto de 1999
 
 
 
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