Artigo: Imagens engavetadas: A coleção mais que particular de Thomaz Farkas

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Dentre os percursos que as imagens seguem, entre o processo de produção e sua difusão, algumas vezes elas acabam permanecendo nas mãos de seu próprio produtor. Depositadas por meio de uma resignação que as deixa no entorno de seu criador. É o caso das imagens coloridas feitas por Thomaz Farkas nos anos 70: restritas ao âmbito privado de seu autor durante décadas, elas mostram um tal exercício de descobrimento pessoal que, pela reclusão depois promovida, parecem ter sido úteis principalmente para seu processo de compreensão do universo no qual mergulhou.

Nascido na Hungria, Thomaz Jorge Farkas (1924-2010) chegou ao Brasil aos seis anos de idade. Desde muito jovem estava em sintonia com os avanços técnicos, tanto por sua ligação com a empresa de materiais fotográficos de sua família, a Fotóptica,[3] como por seu contato com as novas propostas estéticas, por ser um dos mais atuantes membros do Foto Clube Bandeirante. Sobre os fotógrafos do movimento fotoclubista no Brasil, afirma Fernandes Júnior (2003, p. 142): “[…] concretizaram uma atitude diferenciada na produção fotográfica ao proporem a instauração de novos conceitos para a prática da fotografia e a busca de uma marca autoral em seus trabalhos”. Apesar de sua iniciação no fazer fotográfico ter ocorrido nesse ambiente, os trabalhos de Farkas apresentam fases diversas nas quais o discurso fotográfico transgressor é marcante. Ele não é abandonado, embora os cenários e as propostas estéticas tenham mudado.

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